E A FILA ANDA…
Durante a vida toda a gente conhece pessoas que se tornam amigos, conhecidos, colegas, amores, paqueras, paixões e assim vai. Vamos ficar apenas com aqueles amores e paixões possíveis e impossíveis.
Na adolescência tem aqueles amores quase impossíveis, que você guarda no fundo do coração e tem a sensação de estarem sempre ali. São mantidos na memória até os mais singelos olhares que aquela pessoa te deu, aquela vontade de ganhar pelo menos um beijo na boca, um abraço. Nada. Ele parece um carro alegórico que só anda se for empurrado. Você perde contato e cada um toma seu rumo.
Com o amadurecimento, a intensidade muda um pouco. Vai além do sonho do “beijo na boca”. Passa um tempo na espera que aquela pessoa que você morre de tesão, venha fazer algo para te tirar daquela situação de “orgasmo encubado” e venha acalmar o fogo que te consome por dentro. Nada… O tempo passa e nada…
De tanto esperar, a fila anda e novas paixões aparecem. E a fila anda novamente e isso se torna um ciclo.
Há os que abandonam a fila quando conhecem o grande amor da vida. Esse “homem” montado num cavalo branco, é tudo o que você sempre sonhou e não te deixa ver o que está em volta.
Se você ainda não encontrou, sempre está de olho na fila. E não adianta ficar olhando em revistas os belos e belas do mundo. Como eu li num desses milhares emails de fUtilidades que leio diariamente, essas revistas são como a National Geographics: lugares quase impossíveis de estar (se referindo a Playboy). Para ter acesso ao famosos em questão, você tem que ter determinação, dinheiro, beleza, e muito mais. Não basta você ser “bunitinho” se ninguém te descobrir. (assunto longo que merece maior dedicação)
Muitos desses que já estiveram na sua fila você reencontra anos depois. Com satisfação olha e diz: “ainda bem que ele era um carro alegórico”. O cara ta pançudo, mulambento, com cara de velho, judiado, se sentindo como velho. Não vamos falar de cabelos brancos e carecas. Isso faz parte da vida e, da mesma forma que os homens, as mulheres também envelhecem e tem seus momentos de tirar o sutiã e dizer: “ ai que chão gelado”. Estamos falando daqueles que se tornam velhos não só na aparência como no pensamento também.
E a vida segue.
Um belo dia abre os olhos e vê o “próximo da fila”. Você não sabe se senta, se fecha a boca, se tira ele da fila. Lá está o bonitão que você morria de amores quando tinha seus 13 ou 14 anos. Ele não se enquadrou na qualificação anterior. Pelo contrário, não é daqueles que você apenas perderia meiahorinha. Está no estilo “só saio de cima a tapa e se estiver pegando fogo”. Continua lindo, gentil, e muitas outras qualificações impróprias. Mas dessa vez você percebe que tem tudo para acontecer algo e que ele está ali, disponível e demonstrando vontade de recuperar alguns anos perdidos.
Parece que você voltou a ter a mesma idade que tinha e que as coisas estão sendo diferentes desta vez. O frio na barriga voltou e agora parece um iceberg. Você pensa em levar a situação adiante mas para e olha a sua volta, questiona se faz o frio na barriga se tornar um calor em outros lugares mais baixos, ou então continua com o frio na barriga pensando que um dia pode acontecer, no estilo “guarda na manga”. Afinal de contas, você deixou adormecido por vários anos aquele friozinho, não custa deixar por mais alguns anos ou vidas.
” A amizade é um amor que nunca morre.”
Mario Quintana
